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Entrevista-Mafalda-Santos

Entrevista com a autora Mafalda Santos

A Mafalda é a voz mais original do panorama português. Criativa e versátil, é capaz de
escrever histórias distópicas, de terror, surrealistas e infantis com a mesma destreza.


É tão magnífico que alguém consiga sair da sua própria pele, e seja capaz de inventar
coisas, e colocar-se noutras cabeças, apenas recorrendo ao poder da imaginação.
Escritora, atriz, encenadora, guionista, faz ainda dobragens para filmes e dá aulas de
teatro. É mulher, mãe e ativa na luta por um mundo mais livre, justo, igualitário e feliz. 
Vamos conhecê-la mais um bocadinho?

 

Eis, Mafalda Santos em entrevista:

Qual é o teu “lugar mais feliz do mundo?”

Sou sempre feliz a viajar. Adoro escolher o destino, pesquisar tudo acerca dele, planear o que
vou visitar, fazer, comer, tudo até ao último pormenor. Esse tempo de preparação que
antecede a viagem já é a viagem. Depois durante a estadia adoro ser surpreendida com coisas
que não podia de forma alguma ter previsto. Pequenas descobertas, coincidências milagrosas,
segredos bem escondidos com que tive a sorte de me cruzar. Adoro viajar. No entanto, e isto é
um paradoxo, é sempre no regresso a casa que atinjo o maior pico de felicidade. O meu
espaço, as minhas coisas, o meu lugar.

E, pelo contrário, onde é que encontras a “Sombra do Vento”?

Tenho vários lugares de sombra, mas diria que o mais ventoso e inflexível, é um lugar de
memória. Regresso muitas vezes a 2020, ao período pior da pandemia que levou o meu pai. 
Há sempre um bocadinho de mim que escurece irreversivelmente quando me lembro que não
me pude despedir dele. Que o levaram, porque estava doente e nunca mais o vi. Há aqui uma
culpa que duvido algum dia seja capaz de superar.

Por quem ou por quê tens um “Amor de Perdição”?

Pelo meu filho. É o grande amor da minha vida. Mas também pelo meu marido, é claro. Pela
minha família, pelos meus amigos, pelos meus alunos, pelo Teatro, pela Justiça, pela
Liberdade. O amor é um palácio com muitas divisões e um jardim estupendo a perder de vista.
Cabe muita gente e muita coisa, todos confortavelmente instalados.

O que é que te deixa com “vertigens”?

O preconceito e a burrice. Dão-me vertigens, náuseas, dores físicas até.

O que seria para ti um “admirável mundo novo”

Talvez um mundo onde a memória dos povos não fosse tão curta. Onde as lições que
aprendemos com os erros cometidos, fizessem uma espécie de jurisprudência moral e
ideológica da qual nunca se abdicasse.

Em que situações és “desobediente”?

Sempre que a ordem dada tem como objetivo reprimir a minha liberdade, a minha voz. Seja
por medo ou comodismo, não podemos admitir que nos venham dizer o que pensar, o que
sentir, o que opinar. E se algum dia me tentarem calar, gritarei mais alto.

Qual é o maior “ensaio sobre a lucidez” que já fizeste?

O reconhecimento da minha bolha de privilégio. Por ter nascido branca, em Portugal, numa
família de classe média com acesso à cultura, ao lazer, a férias, segurança e comida na mesa.
Tudo isso me deu, à partida, vantagens que nada tiveram a ver com mérito pessoal, mas que
moldaram o caminho por onde pude seguir. Sem essas condições, teria sido muito mais difícil
chegar onde cheguei. É essencial não perder esta consciência: sem ela, creio ser impossível
compreender verdadeiramente o mundo em que vivemos.

O que é que gostavas de fazer “enquanto o fim não vem”?

Dançar!

Não me podia ir embora sem vos convidar a ler os livros desta autora portuguesa, de
quem sou fã assumida. Já li todos e mais houvesse.

Aquilo que o sono esconde

Um enredo inusitado. E uma dose de loucura que aprecio e admiro. Tudo que vai sendo
apresentado parece tão estranho mas encaixa-se perfeitamente no final, ao ponto de me
fazer sentido. Fiquei a pensar neste livro durante muito tempo. A exploração do mundo
dos sonhos e como eles podem fazer parte da nossa vida com um desfecho inesperado e
fascinante.

A história do coco que aprendeu a ser ovo

Um livro extremamente importante sobre empatia e a forma como olhamos o outro.
Uma história infantil que abre os horizontes das nossas crianças e faz-nos, a nós adultos,
ver também o mundo de outra forma.

Enquanto o fim não vem

Não é um livro normal. E eu não vos posso dizer o quanto (isto é bom) nem o porquê. 
É altamente viciante de ler. Fui capaz de sentir coisas completamente diferentes.
Diversão, alucinação, choque, náusea, curiosidade. Fiquei intrigada e fascinada várias
vezes enquanto o fim não vinha. Este livro é sobre a doideira que é escrever (e ler) um
livro. Porque as personagens existem mesmo.

Do Outro Lado

Esta é uma história que nos desperta para a existência de outra coisas para além da
bolha onde vivemos. Outras realidades, várias dimensões, mundos paralelos, que
nos transportam para uma reflexão sobre a ética do comportamento humano. Uma
espécie de distopia mascarada de romance contemporâneo com e ficção científica leve e
suspense moderado a cada virar de página.

Conta-me escuridão

Um livro de contos com uma atmosfera de terror que li em poucas horas e todos de
seguida. Houve histórias das quais gostei muito e de onde consegui retirar mensagens
que mexeram comigo intensamente pelo sentido e significado.

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